Sol clareia noite em comunidade carioca

FacebookTwitterGoogle+Share

babilonia1

No último dia 30 de janeiro, o crepúsculo aconteceu no Rio de Janeiro, mas não levou com ele a potência do sol. Pelo menos foi assim no Morro da Babilônia (Leme), onde 32 módulos fotovoltaicos clarearam o território de atuação da RevoluSolar, associação cidadã, sem fins lucrativos, e que pretende ser uma futura cooperativa de produção de energia renovável no Brasil.

Na primeira noite iluminada pela força do astro rei, no Mirante da Babilônia (Praça Walace Almeida por Direitos Humanos), representantes de várias entidades e comunitários presentes na inauguração das primeiras placas fotovoltaicas da comunidade, manifestaram um só desejo: que o projeto piloto tenha êxito e a abundância do sol se espalhe pelos telhados da Babilônia, de outras comunidades da “cidade maravilhosa” e, de lá, para os telhados de todo o Brasil! Durante o dia, a comunidade se dedicou ao mutirão da Favela Orgânica (plantio de mudas, inclusive de ervas medicinais, todas com plaquinhas identificadoras, e distribuição de folhetos informativos).

Benefícios ambientais e econômicos

babilonia3

O presidente da RevoluSolar, Pol DHuyvetter, afirmou que “este projeto é um exemplo de desenvolvimento sustentável, com benefícios sociais, econômicos e ambientais”. Entre os argumentos em favor da expansão da microgeração dessa fonte renovável, citou os ganhos econômicos para os consumidores, “que passam de meros explorados pelo monopólio a produtores de sua própria eletricidade”.

André Luiz Abreu de Souza, presidente da Associação de Moradores da Babilônia, avaliou criticamente os cinco anos de UPP na Babilônia, “onde pouca coisa mudou. A integração que pretendemos não é o turista, a classe média, subir à favela. Queremos a garantia dos nossos direitos.” Segundo ele, tem moradores que pagam de R$ 500,00 a R$ 1.000,00 para a Light e não se leva em conta a realidade da comunidade. Por isso, a associação chamou a atenção dos comunitários para o enorme benefício da instalação de placa solar em seus telhados. 

O comerciante Eduardo Figueiredo, um dos técnicos responsáveis pela implantação das placas na Babilônia, lembrou que o preço da eletricidade no Rio quase dobrou nos últimos dois anos (de R$ 0,48k por kWh em janeiro de 2014, para R$ 0,90 por kWh em janeiro de 2016). Ele, que vinha sofrendo muito com a conta de energia (R$1.800,00/mês), passará a pagar apenas cerca de R$200,00. A sobra pagará o parcelamento da placa.

No Brasil, infelizmente temos uma tradição pouco participativa na questão da energia e a politica energética é muito discutível, disse o diretor da Fundação Heinrich Böll, Dawid Bartelt. “Tenho certeza que este projeto brasileiríssimo de vocês dará autonomia a essa comunidade, que deve buscar enraizar o uso da energia renovável no morro e sua expansão pelo país”.

Nossa Casa Solar

No evento, Zoraide Vilasboas, da Articulação Antinuclear Brasileira (AAB), informou que a articulação tem interesse em cooperar com a RevoluSolar, pois sua proposta anima todos que defendem o fim do programa nuclear brasileiro. Afinal, como celeiro de fontes renováveis, o Brasil não precisa de energia atômica, cara, insegura e perigosa. O Brasil ainda não adota o sistema de produção descentralizada de energias e a AAB reafirma sua opção pelas fontes renováveis, com justiça social e ambiental, principalmente através da mini e microgeração distribuída da energia.

Júlio Holanda, da Frente por uma Nova Política Energética para o Brasil, apontou os desafios que terão que ser vencidos para se atingir as metas da Frente, uma rede nacional de organizações articuladas em torno do lema “Energia para a Vida”. A luta é pela adoção de linhas de créditos específicas, de incentivos e políticas públicas que possibilitem expandir essa fonte na matriz energética brasileira, como a tarifa prêmio, que possibilita um complemento de renda aos adotantes do sistema.

Mas só a pressão da sociedade civil garantirá a criação e expansão de linhas de crédito e formas de financiamento de projetos para a instalação de sistemas de geração distribuída nas residências. Por isto, a sociedade precisa reforçar a campanha Nossa Casa Solar, promovida pela Frente por uma Nova Política Energética para o Brasil (https://www.change.org/p/eduardo-braga-ministro-de-minas-e-energia-do-brasil-crie-o-fundo-público-de-financiamento-da-energia-solar-fotovoltáica-nas-casas-do-brasil), que exige a criação de um fundo público nacional para financiar a instalação de energia solar nas residências. A economia gerada com esse sistema pagará pelos custos do financiamento e contribuirá para termos rapidamente uma transformação positiva na nossa matriz energética e, com certeza, a natureza agradecerá!

Texto: Zoraide Vilasboas (Articulação Antinuclear Brasileira).

Fotos: RevoluSolar e Zoraide Vilasboas.