Quais os reais custos e benefícios das fontes de geração elétrica no Brasil?

Encontro reuniu representantes de agências governamentais, empresas e associações do setor elétrico e da sociedade civil

O Instituto Escolhas, em parceria com a EPE e apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), apresentou nesta terça-feira, dia 24/07, os resultados parciais do estudo “Quais os reais custos e benefícios das diversas fontes de geração elétrica?”. A equipe de pesquisa é composta por profissionais da PSR – Energy Consulting and Analytics. O objetivo é trazer um conjunto sólido de informações para que a sociedade e o setor elétrico brasileiro possam enfrentar os desafios futuros da geração e segurança energética do país, bem como avaliar um cenário de maior inserção de fontes renováveis.

Os resultados parciais apresentados neste terceiro workshop,  indicam que o mix de várias fontes de geração elétrica permite uma complementariedade importante para garantir a estabilidade do sistema.

O estudo analisa diferentes atributos específicos aos serviços de geração, custos de transmissão, subsídios, incentivos e encargos setoriais para cada fonte. Sabe-se que nenhuma fonte é autossuficiente em todos os atributos. Algumas possuem propriedades capazes de suprir suas necessidades, e ainda fornecer quantidades extras ao sistema. Outras necessitam de alguns atributos fornecidos pelas demais fontes para operar de maneira mais estável.

Quanto aos serviços de geração, este estudo contabilizou o saldo líquido dos atributos de modulação, sazonalização e robustez. Modulação e sazonalização compreendem a capacidade da fonte geradora de energia atender o perfil da demanda horário ao longo do mês e mensal ao longo do ano, respectivamente. Robustez mensura a capacidade do gerador produzir uma reserva de energia ao sistema. Até o momento, os resultados parciais indicam que somando todos os serviços de geração, as fontes que somam os maiores custos são as hidroelétricas de fio d’ agua (UHE) e as pequenas centrais hidrelétricas (PCH). Isto ocorre porque estas fontes estão sujeitas à variações climática, que provocam períodos de estiagem. Todas as demais ofertam estes serviços de geração ao sistema mais do que necessitam. Entre as renováveis, as eólicas, solares e biomassa supririam com folga a modulação e sazonalidade demandada pelas hidrelétricas.

No que diz respeito a apreciação dos fatores relevantes aos custos da infraestrutura (transporte, reserva, perdas, reativos, inercia e benefícios da inércia), as tecnologias que apresentam os maiores valores são eólicas (NE e SU), solares (NE e SE) e gás de ciclo-aberto flexível (SE).

E finalmente, quanto ao aos subsídios/incentivos e encargos setoriais, os resultados preliminares mostram que as tecnologias que apresentam a maior parcela destes fatores atrelados ao custo são as eólicas (NE e SU), solares (NE e SE) e as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH – SE).

Os próximos passos deste estudo contará com a formulação e simulação de cenários com maior inserção das “novas renováveis”. Essa análise é fundamental para que o setor possa avaliar o impacto de incluí-las na matriz elétrica brasileira

Ao final deste estudo, o Instituto Escolhas apresentará a sociedade uma avaliação efetiva quanto as possibilidades de combinações das diversas fontes que assegurem uma maior eficiência a operacionalidade de setor elétrico como um todo.

 

Publicado originalmente no site do Instituto Escolhas.