Holanda oferece apoio para inovação em biocombustíveis

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A Holanda tem uma missão corajosa: até 2050, pretende contar com um sistema de energia sustentável, confiável e acessível. Líder em biotecnologia industrial internacional e na indústria bioquímica – que abriga inúmeras empresas do setor e cientistas de renome internacional – o país vem realizando importantes experimentos com a energia das ondas oceânicas, algas e biomassa. Durante a segunda edição do BBest, conferência de ciência e tecnologia de bioenergia, que acontecerá entre os dias 20-24 outubro no Campos do Jordão Convention Center, a Holanda planeja demonstrar como é capaz de ampliar ainda mais seus conhecimentos em cooperação com o Brasil, outro pioneiro em combustíveis renováveis ​​e energia. A Holanda está construindo conexões bem sucedidas com nosso País , através de parcerias estratégicas, colaborações em projetos e programas, bem como acordos no nível governamental, industrial, institucional e acadêmico.

Inspirados por sua indústria de horticultura, cujo consumo de energia é intensivo, os holandeses desenvolveram soluções inovadoras na produção descentralizada de energia em estufas, “reciclagem” de CO2 e aproveitamento de calor residual. Como parte de seu plano, a Holanda pretende monitorar as tensões ecológicas, controlar e otimizar a qualidade da água, terra, e a disponibilidade de nutrientes utilizando tecnologias de sequenciamento genético de material biológico, além da incorporação social dos produtos, serviços e processos desenvolvidos até agora. Até 2020, os recursos renováveis ​​terão um papel importante na economia baseada em bioenergia. A Holanda também está investindo bastante em Smart Grids, que facilitam o desenvolvimento de outras tecnologias, como veículos elétricos.

Do outro lado do Oceano Atlântico, o Brasil é o maior produtor de cana de açúcar do mundo e o segundo maior fabricante de etanol. Com experiência de mais de 40 anos, o Brasil tem grande capacidade no desenvolvimento de infraestrutura e de produção de bioenergia com base na cana-de-açúcar. Isso proporciona grandes oportunidades e lições para as empresas holandesas. Em 2012, por exemplo, duas organizações holandesas, BE-Basic e TU Delft , abriram escritório conjunto no Brasil para intensificar e facilitar ainda mais a cooperação com parceiros brasileiros, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Laboratorio Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol, (CTBE), Universidade de Campinas (UNICAMP), Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, (FIESP) e a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

Intercâmbio científico

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e a Fundação BE-Basic, consórcio público-privado holandês composto principalmente por universidades, instituições científicas e empresas holandesas, anunciaram que pretendem promover projetos de apoio à pesquisa envolvendo a colaboração entre cientistas trabalhando no estado de São Paulo, Brasil, e cientistas associados à BE-Basic na Holanda.

Os projetos de pesquisa deverão ajudar a construir competências científicas e tecnológica, fomentar alianças estratégicas para o desenvolvimento científico e tecnológico, promover a disseminação do conhecimento e gerar resultados que poderão levar a aplicações de valor comercial em áreas de interesse tanto da FAPESP, através de seu programa BIOEN, quanto da BE-Basic.

O recente BASIS Programme foi inspirado pelo plano de voo para biocombustíveis de aviação no Brasil – relatório preparado pela Boeing, Embraer e FAPESP, sob a coordenação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Divulgado em junho de 2013, o documento apontou caminhos para que o país ocupe uma posição de destaque internacional no mercado, por meio da pesquisa sobre matérias-primas e produção de biocombustíveis, logística de distribuição e adequação da legislação, entre outros temas.

Com um amplo programa educacional, a BE-Basic pretende estimular e preparar a mão de obra internacional para futuros empregos na bioeconomia. A implantação internacional deste programa reflete a importância de atividades internacionais atuais e futuras, tanto provenientes de parceiros industriais quanto acadêmicos. O programa visa preparar a educação para ampla utilização internacional, onde membros da BE-Basic em potencial possam colaborar com colegas de seus parceiros internacionais.

Para o Brasil, o foco está nos cursos avançados (graduação e pós-graduação) para participantes industriais e acadêmicos, organizados juntamente com os principais parceiros acadêmicos da fundação, como a Universidade de Campinas (UNICAMP). Onde for possível, estes cursos também serão incorporados em programas educacionais como parte de uma formação dupla (co-tutela) com parceiros brasileiros.

Com base numa série de cursos avançados da atualidade e futuras demandas de mão de obra, um programa de educação foi definido para cobrir tópicos técnicos como biotermodinâmica, metabolômica e ecologia do solo, mas também comunicação e política, transferência de tecnologia e empreendedorismo.

Além disso, a Holanda tem experiência em energia eólica marítima, co-combustão de biomassa em usinas de carvão, métodos de pré-tratamento da biomassa, o uso de gás de aterros sanitários, bem como a utilização de bombas de calor combinadas ao armazenamento de calor e frio. O País tem reputação internacional para a pesquisa em energia renovável, devido, em parte, ao trabalho do centro de pesquisa de energia ECN. Não é por acaso que a Holanda ocupa o sexto lugar no ranking mundial em termos de pedidos de patentes envolvendo energia solar fotovoltaica, e patenteou a tecnologia de “gás verde”, ou gaseificação de biomassa.

Atuando como a conexão entre o Brasil e os Países Baixos na área da Ciência e Tecnologia, o Escritório Holandês de Ciência e Tecnologia (NOST) no Brasil monitora constantemente a evolução da ciência, tecnologia e inovação e faz parte da rede global de escritórios holandeses de Ciência e Tecnologia em Embaixadas. Entre os lideres da indústria da Holanda presentes na Conferência BBest 2014 estarão a Agência Holandesa de Investimentos, Delft University of Technology, BioDetection Systems, Bioprocess Pilot Facility, Corbion Purac, Delft Advanced Biorenewables, Dyadic International, ECN, NIOO, Port of Amsterdam, Universiteit Utrecht.

Fonte: Agência Ambiente e Energia

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