Dom Enemésio Lazzaris faz pronunciamento, em nome da CNBB, a respeito do lançamento da campanha Energia Para a Vida!

Campanha Nacional: Energia para a Vida!

 

É muito importante a iniciativa da sociedade organizada em pensar outras alternativas de energia. O Fórum social Temático já é um indicativo da predisposição de dialogar e somar forças, criatividades e iniciativas pensando outras condições de vida na Terra. A perspectiva de outro modelo energético é um passo imprescindível para quem quer sugerir uma nova forma de viver e conviver.

Os acontecimentos dos últimos anos têm demonstrado que as iniciativas de uso da energia, propaladas como viáveis, tem gerado uma serie de desequilíbrios sociais, ambientais e econômicos. Faz necessário em nome do compromisso com a vida presente e com a vida das gerações futuras alertar a sociedade sobre estes erros.

Como é possível que, ao se produzir energia se produza também a morte de seres humanos ou mecanismos que ameaçam a vida das pessoas e do Planeta. Tem razão as entidades proponentes desta campanha. A energia deve ser para a vida e não para a morte.

A campanha da Fraternidade de 2011 que tratou da vida no Planeta fazia um alerta sobre esta necessidade. O documento a Igreja e a questão agraria no início do século XXI, publicado em junho deste ano, também aborda esta problemática, quando chama a atenção para os milhares de hectares de terra agricultável que são utilizados, não para produzir alimentos, mas produzir biocombustíveis. Dizia ainda: “Expressamos nosso apoio às várias reinvindicações movimentos em defesa dos direitos dos atingidos por grandes projetos de construção de barragens, previstos ou em execução. Alertamos para os riscos e possíveis injustiças de tais projetos: cobrem vales férteis, florestas e matas ciliares e desequilibram o meio ambiente; expulsam populações, comunidades e famílias, sem nunca compensar, de maneira suficiente o prejuízo sofrido. Denunciamos a forma injusta de distribuição dos benefícios da energia produzida por aquelas barragens: a energia é fornecida, de forma subsidiada, às grandes empresas de transformação, enquanto o cidadão está sendo cobrado em percentuais bem maiores, pelo seu uso familiar.”

A coragem de apontar estes equívocos cobra a ousadia de propormos outros caminhos.

Neste sentido a CNBB está apoiando a iniciativa de pensar o modelo energético brasileiro. E o pensar o modelo energético compreende a criatividade e ousadia de propor outros caminhos interagindo com as potencialidades da natureza sabendo da finitude de alguns recursos e das consequências desta ou aquela opção. Neste caso vale buscarmos os critérios éticos que orientam as tomadas de decisões.

O princípio do Genesis do senhorio sobre a obra criada não se confunde com  despotismo humano, mas o cuidado e atenção para esta que é o lugar da vida na sua pluralidade.

Apoiar pesquisas científicas em nossas universidades, visando a descobrir materiais mais baratos, simples e eficazes na produção de energia e na sua conservação para uso posterior. É necessário priorizar políticas públicas na direção do melhor aproveitamento da energia solar e eólica e de outras formas de energia, como o biogás e a biomassa, levando em conta o cuidado com o meio ambiente e as comunidades atingidas.

A tradição cristã nos ensina a sermos pessoas de esperança. Contudo, uma esperança proativa. Leva a atitudes de construção. Acreditar na participação de todos os cidadãos e cidadãs no cuidado carinhoso pela vida e pelo ambiente em nossa terra é o princípio de outras formas de convívio e respostas a necessidade energética. É a inteligência e criatividade humana colaborando e preservando a obra da criação.

 

Brasília, 08 de agosto de 2014!