Energia eólica e os desafios socioambientais

A partir de 2007, ano a ano, o crescimento da geração eólica no país chama a atenção. Se há nove anos a potência instalada era de 667 MW, em 2015 chegou a 8.120 MW, ou seja, um aumento de 12 vezes. Verifica-se também que vários municípios brasileiros sofreram mudanças radicais com alterações bruscas em suas paisagens e no modo de vida de suas populações. Essas mudanças representam o início de um novo ciclo de exploração econômica, o chamado “negócio dos ventos”. Várias são as razões que têm atraído estes empreendimentos a nosso país. Além da crise econômica mundial de 2008 que provocou uma capacidade ociosa na Europa, e assim equipamentos chegaram até nós com preço vantajosos; sem dúvida a “qualidade dos ventos”, em particular na região Nordeste é outro grande atrativo. E é neste território, onde hoje se concentra 75% de toda potência eólica instalada no país. Determinados estados criaram políticas próprias de incentivo à energia eólica, com isenções fiscais e tributárias, concessão de subsídios, flexibilização da legislação ambiental (p. ex. Pernambuco aboliu os estudos ambientais EIA/RIMA). Associados aos financiamentos de longo prazo do BNDES (e mais recentemente da Caixa Econômica Federal), e ao preço irrisório da terra, estas têm sido as razões principais para atrair os empreendedores. É o resultado da combinação destes fatores que possibilita que a energia eólica ofereça preços imbatíveis nos leilões realizados pela Aneel, tornando assim a segunda fonte energética mais barata. Esta situação esconde o fato dos custos ambientais e sociais decorrentes da implantação dos complexos eólicos serem altos, embora não sejam contabilizados nos “custos” da geração, pois não são pagos pelos empreendedores,...

Propina nuclear

  Heitor Scalambrini Costa Professor da Universidade Federal de Pernambuco No inquérito sobre corrupção na Petrobras (denominada operação lava-jato) surgiu suspeitas de fraudes sobre negócios do grupo Eletrobrás, composto de 15 empresas estatais responsáveis por mais de um terço da energia consumida no país, com patrimônio superior a R$ 60 bilhões. Todo esse conjunto de empresas está sob investigação por iniciativas coordenadas entre o Ministério público (MP), Tribunal de Contas da União (TCU) e Policia Federal (PF). Além de suas contas estarem sendo auditadas pela Hogan Lovells, escritório de advocacia americano contratado pela Eletrobrás. As suspeitas sobre negócios escusos foram reforçadas em depoimentos de executivos de empreiteiras, de ex-diretores da Petrobras e de agentes de distribuição de propinas. Foi nessa rede que caiu o diretor presidente da Eletronuclear, uma das menores subsidiárias do grupo Eletrobrás, o almirante da marinha brasileira Othon Luiz Pinheiro da Silva. Nesta investigação envolvendo propinas na construção de Angra 3 também esta sob investigação acusados de receber subornos, o ex ministro das Minas e Energia Edson Lobão, o ministro do TCU Raimundo Carreiro e o advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do TCU. O almirante Othon ficou conhecido por liderar, no auge da ditadura militar, a equipe que desenvolveu o Programa Nuclear Paralelo (entre 1979 e 1994) iniciativa militar no âmbito da antiga Coordenadoria de Projetos Especiais da Marinha, em que foram gastos, segundo revelado pelo próprio almirante, US$ 667,9 milhões. O objetivo era bélico com o desenvolvimento de tecnologia em enriquecimento de urânio, e assim produzir artefatos nucleares. Tudo a margem do projeto de construção das usinas nucleares. No início do primeiro governo Lula...

Crise hídrica: a renovabilidade da matriz hidrelétrica em risco?

Crise hídrica: a renovabilidade da matriz hidrelétrica em risco? Joilson José Costa* Desde que a discussão acerca da situação hidrológica desfavorável começou a tomar com mais frequência os noticiários a partir do ano passado uma pergunta vem me incomodando: estaria em risco não apenas o abastecimento imediato de água para consumo e geração de energia elétrica, mas o próprio conceito de renovabilidade de nossa matriz elétrica. Seria tal pergunta puro “devaneio” precipitado e exagerado de um “não especialista” ou o cenário que vivemos poderia de fato respaldar, pelo menos, o direito a tal dúvida? Sabe-se que o conceito de “renovável” é conferido às fontes provenientes de recursos que são naturalmente “reabastecidos” e que o mesmo é dependente de uma escala temporal e dos padrões de utilização dos recursos. Partamos então desta compreensão. Pelo menos até recentemente fomos educados na compreensão de que a água seria um recurso infinito, de tão abundante que era até bem pouco tempo. Tal compreensão em si, aliada a uma esquisita cultura de desperdício que teima em reinar em nosso país, formaram (ou talvez ainda formem) uma combinação perfeita para um padrão de consumo da água extremamente perdulário. Se de fato tal recurso fosse infinito talvez não houvesse problemas no crescimento constante na curva do consumo. O problema é que a realidade mostra que não é. Portanto, e levando em consideração que alguns reservatórios servem não apenas para gerar energia elétrica, mas também para abastecimento de água para a população, uma primeira problematização seria: faz sentido continuar considerando as águas das hidrelétricas como recurso renovável em um contexto que se necessita cada vez mais de...

Assine a petição em defesa da bacia do Rio Tapajós

A Campanha “Energia para a Vida!” apoia e convoca a todos/as que assinem a petição criada pelo Movimento Tapajós Vivo em defesa da bacia do Rio Tapajós. A Campanha reafirma que é possível gerar energia elétrica a partir de outras fontes que não a hidrelétrica, como a solar e eólica, infelizmente ainda vistas como “marginais” pelo planejamento energético brasileiro. O Brasil possui tecnologia e recursos, está faltando vontade e decisão política. Confira o texto da petição e assine: Presidente Dilma Rousseff do Brasil: Parar de destruir o rio Tapajós no Pará com sete hidroelétricas O rio Tapajós é nossa vida aqui na região do Estado do Pará. Os impactos serão vários (ambientais, sociais, econômicos e violações de direitos dos povos indígenas e ribeirinhos). Não temos necessidade de mais hidrelétricas, como bem afirmam cientistas e pesquisadores como Célio Bermann da USP e Felipe Fernside do IMPA. A usina de Tucuruí tem energia suficiente para abastecer todo o Estado do Pará e mais boa parte do país, com 8 mil megawatts de potência. As hidrelétricas no Tapajós, vão inundar milhões de árvores, violentar a Constituição, entre outras razões, por desafetar (desmembrar) 10 mil hectares de floresta no Parque Nacional da Amazônia. 12 mil Munduruku serão violentados em suas terras por causa das hidrelétricas, além de 5 mil famílias ribeirinhas que serão expulsas de suas casas e habitat. O governo Dilma Roussef está insensível aos nossos direitos e nossas vidas, além de destruir a dinâmica de um dos mais belos rios do planeta, o Tapajós. Por esse motivo necessitamos da campanha de AVAZZ. Somo o MOVIMENTO TAPAJÓS VIVO, unido à PASTORAL SOCIAL...

Porque opor-se a usinas nucleares? – Artigo de Chico Whitaker

Porque opor-se a usinas nucleares? Da inquietação ao pânico. Ou à indignação? Chico Whitaker, dezembro de 2014   É perigoso viver no mundo. Não tanto por causa daqueles que fazem o mal, mas por causa daqueles que olham e deixam que aconteça. Albert Einstein[1] Quando se questiona o uso da energia nuclear, na matriz energética brasileira, o primeiro argumento de quem a defende é de que só ela pode oferecer energia sem interrupção. E que já nisso ela é muito superior à hidráulica, porque a agua que move as turbinas pode faltar. E à solar – que não produz eletricidade à noite – ou à eólica – que deixa de produzi-la quando o vento para. Além disso, por que prescindir da energia nuclear, se a demanda de energia elétrica, num país em desenvolvimento, é crescente, e isto nos obriga a utilizar todas as opções existentes, ainda mais quando as “alternativas” que, embora existam, produzem energia ainda muito cara? Se estes argumentos não nos convencem, nos lembram imediatamente as vantagens econômicas comparativas da energia nuclear. E que ela é a que menos interfere nas condições de vida da população e no meio ambiente. Não se está aventando que pode ser solução até para o aquecimento global? E mais: ela é a mais limpa. Uma afirmação final encerra a discussão: ela é também a mais segura! Não podemos então senão nos darmos por vencidos, até porque tais discussões exigem conhecimentos de que nem sempre dispomos. Na verdade, há uma enorme distância entre o que sabemos – os comuns dos mortais – de física, química, engenharia, economia, e os conhecimentos exigidos para...

Participe da campanha “Barragens não são Energia Limpa!”

Em poucos dias, será realizada a COP 20 em Lima, Peru, momento em que os representantes de 195 países vão tomar decisões importantes sobre ações para o enfrentamento da crise global do clima, no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). Diversos governos, instituições financeiras multilaterais como o Banco Mundial e o BRICS Development Bank, junto com bancos nacionais de desenvolvimento como o BNDES e grandes empresas, devem pressionar que nos próximos acordos da Convenção do Clima, a construção de grandes barragens seja considerada como fonte de ‘energia limpa e barata’ e solução para a crise do clima. Foi justamente isso que aconteceu com as hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau no Rio Madeira, Santa Rita em Guatemala e Barro Blanco no Panamá, aprovadas para receberem créditos de carbono no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) vinculado ao Protocolo de Quioto – ignorando advertências de cientistas e movimentos sociais sobre seus efeitos nefastos, como emissões de gases de efeito estufa, violações de direitos de povos indígenas e outras populações locais, e perda da biodiversidade amazônica, além de sua vulnerabilidade às mudanças climáticas. Nesse momento, é fundamental que nós, cidadãos e integrantes de organizações da sociedade civil no mundo inteiro, que defendemos os direitos humanos e o respeito à natureza, possamos unir esforços para levar a mensagem em voz alta para a COP 20 em Lima que as grandes barragens não são uma fonte de energia limpa, nem renovável e que, pelo contrário, constituem uma falsa solução para a crise global do clima. No lugar de incentivar falsas soluções, precisamos que os tomadores de decisão de...

Justiça Federal suspende licenciamento da usina hidrelétrica Teles Pires

A Justiça Federal suspendeu o licenciamento da Usina Hidrelétrica Teles Pires, na divisa de Mato Grosso com o Pará, até que indígenas afetados pelo lago sejam consultados. A decisão foi assinada na última quarta-feira pelo juiz substituto Marcel Queiroz Linhares. A decisão é de mérito, o que encerra a ação civil pública em primeira instância. As partes interessadas – Ibama e EPE (Empresa de Pesquisa Energética) – podem recorrer no Tribunal Regional Federal. Segundo consta nos autos, o Ibama emitiu a licença prévia em 13 de dezembro de 2010 e a de instalação em 19 de agosto de 2011, sem a “consulta livre, prévia e informada aos povos indígenas afetados”. Os povos citados na ação são kayabi, munduruku e apiacá. Em março de 2012, a Justiça Federal já havia determinado liminarmente a paralisação das obras. No mês seguinte, entretanto, o Tribunal Regional Federal acabou suspendendo a liminar. Desde então o processo prosseguiu na primeira instância. Segundo a ação do Ministério Público, tal consulta aos povos seria necessária porque o empreendimento causaria interferência direta nos povos indígenas, trazendo “danos iminentes e irreversíveis para sua qualidade de vida e seu patrimônio”. O MP argumentou ainda que o Ibama era conhecedor das implicações, tanto que no Termo de Referência para a elaboração do EIA/Rima (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impactos ao Meio Ambiente) já constava uma série de exigências relativas aos impactos do empreendimento no modo de vida dos povos afetados. Entre os impactos citados na ação civil pública estão a inundação das corredeiras do Salto Sete Quedas, área importante para os povos indígenas; aumento do fluxo migratório; especulação fundiária; desmatamento e...

Belo Monte escancara injustiças no reassentamento de populações afetadas por grandes obras

Em audiência pública em Altamira (PA), famílias ribeirinhas denunciam que irão perder suas casas e estão fora do cadastro de compensações Cerca de 300 atingidos pela usina de Belo Monte, lotaram uma audiência pública, em um auditório de um prédio comercial de Altamira (PA), nesta quarta-feira (12), para denunciar violações de direitos no reassentamento de milhares de famílias que terão suas casas alagadas pelo fechamento da barragem, no Rio Xingu (veja galeria completa de fotos no final da reportagem). Mais de 600 famílias indígenas que vivem na cidade de Altamira terão que abandonar suas casas. Muitos afirmam ter ficaram de fora do cadastro de compensações  Passados 41 meses do início da obra, os problemas nas compensações socioambientais aos atingidos levaram o Ministério Público Federal a convocar a audiência para tentar promover reajustes nos programas de reassentamento, executados pela Norte Energia, empresa responsável pelo projeto. Até o momento, menos de 20% das casas foram entregues. Dezenas de ribeirinhos que perderam suas casas na cidade disseram não estar no cadastro de atingidos “O prazo firmado com o Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente], órgão licenciador da usina, era finalizar as relocações das famílias até setembro de 2014, mas a empresa responsável por executar a obra não finalizou nem o cadastro de atingidos”, alertou a advogada do ISA, Carolina Piwowarczyk, na audiência. Atingidos por Belo Monte protestam durante audiência pública que tratou do reassentamento em Altamira  “Ficou evidente que é preciso fazer mudanças e que já há falhas no processo de reassentamento”, reconheceu o representante da Casa Civil, Johaness Eck. O reservatório da usina irá alagar permanentemente a área onde vivem 8...

Entre a cheia e o vazio – documentário sobre o Rio Madeira

Entre a cheia e o vazio: A cheia histórica do rio Madeira em 2014 e seus nexos com as UHEs Santo Antônio e Jirau Sinopse: O documentário é resultado de um esforço compartilhado de pesquisadores para colocar em questão os nexos entre a cheia do rio Madeira e os vazios relacionados à implementação e atividade das duas usinas hidrelétricas instaladas no mais caudaloso afluente do rio Amazonas. O ponto de partida do filme é a afirmação do diretor da UHE Jirau de que “acreditar na relação entre a cheia e as usinas seria crendice”. O empenho das usinas em ocultar as causas coadjuvantes dessa catástrofe expõe as populações que vivem no entorno dos megaprojetos hidrelétricos em Rondônia, Beni e Pando (Bolívia) a novos e ampliados danos sociais e ambientais, além de colocar em risco de isolamento a população do Acre, que tem sua única via de acesso por terra afetada pelo atual regime de operação dos reservatórios das usinas. O consenso propalado pelos empreendedores das obras de que “a cheia foi natural” é desvelado por pesquisadores independentes e comunidades ribeirinhas afetadas. Philip Fearnside, Edna Castro, Célio Bermann e Jorge Molina, especialistas reconhecidos nacional e internacionalmente, deram significativa contribuição nesta reconstrução de sentidos. Grande parte das filmagens foi realizada no interior das usinas, ouvindo seus representantes e decodificando seus números e discursos. Estas informações são apresentadas ao público como uma espécie de plataforma audiovisual para que se investigue o que significam de fato hidrelétricas “a fio d`água” e fontes de “energia limpa”, quem se beneficia da energia gerada e por que novos estudos de impacto são necessários.  Realização: Mapeamento Social...

Programa Vozes da Amazônia entrevista Ivo Poleto sobre a Campanha Energia para a Vida

O Programa Vozes da Amazônia entrevista Ivo Poleto sobre a Campanha Energia para a Vida e o ribeirinho Sr. Veloso, atingido pela inundação no rio Madeira. O programa contou ainda com a breve participação de Denis da Cultura de rua. O Vozes da Amazônia vai ao ar todos os domingos das 9 as 10:30h de RO e tem como coordenação o Instituto Madeira Vivo e elaboração da Rede de Entidades em Defesa da Sustentabilidade da...

Leilão de energia solar e a campanha “Energia para a Vida”

Grande expectativa foi criada com o que se convencionou chamar de ”leilão da energia solar”, pois seria o primeiro certame a nível nacional em que a fonte solar seria vendida sem competir com outras fontes. Depois de alguns adiamentos, no último dia 31 de outubro foi realizado o “6º Leilão para Contratação de Energia de Reserva”. É importante mencionar que o Estado de Pernambuco, em dezembro de 2013, já havia realizado um leilão específico para a fonte solar. Na oportunidade, o preço teto estabelecido foi de R$ 250,00/MWh. O leilão foi exitoso, possibilitando a contratação de 122 MW a um preço médio de R$ 228,63/MWh, com ofertas entre R$ 193,00/MWh (da empresa Sun Premiere) e R$ 246,00/MWh (da empresa Kroma). No leilão nacional, a Empresa de Pesquisa Energética – EPE cadastrou 1.034 empreendimentos, uma oferta total de 26.297 MW de capacidade instalada, para serem entregues a partir de outubro de 2017. Com contratos que preveem o suprimento por 20 anos. Os projetos de energia eólica predominaram mais uma vez, com 626 empreendimentos (15.300 MW), seguidos pelos 400 projetos de energia solar fotovoltaica, e 8 projetos de térmicas a biomassa utilizando resíduo solido urbano – lixo e biogás (151 MW). O número de projetos fotovoltaicos totalizou 10.800 MW, ou seja, comparável a toda atual potência instalada do sistema CHESF. No leilão, cada fonte vendeu energia em separado, sendo os preços máximos estipulados para serem praticados pelos vendedores: R$ 262,00/MWh para a energia solar, R$ 144,00/MWh para a eólica e R$ 169,00/MWh para as termelétricas a biomassa. Foram selecionados 62 projetos, sendo 31 eólicos e 31 solares (nenhum a biomassa). Foi...

Artigo na ‘Science’ diz que mineração e usinas ameaçam reservas no Brasil

Segundo cientistas, marco regulatório em debate reduziria áreas protegidas. 8% da Amazônia seriam destinados à exploração de recursos minerais. Eduardo Carvalho Do G1, em São Paulo Artigo publicado nesta quinta-feira (6) na revista “Science” traz a análise feita por pesquisadores brasileiros e estrangeiros sobre os danos que o novo Código de Mineração, em análise no Congresso, e as obras de megaprojetos, como as hidrelétricas, podem causar em áreas de proteção ambiental integrais do país. Segundo o artigo, a implementação do novo marco regulatório de mineração e a implantação de infraestrutura voltada à geração de energia ameaçam as florestas e terras indígenas, e podem tirar do Brasil o posto de referência global em preservação ambiental. O texto enfatiza a legislação para a exploração de recursos minerais, projeto de lei em discussão na Câmara e que não tem previsão para ser votado. Uma das propostas do projeto autoriza a sondagem e exploração de recursos minerais em 10% de todos os parques nacionais, unidades de conservação e reservas biológicas do país. De acordo com o artigo, que tem como autora principal a pesquisadora Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental, o plano pode afetar 20% das zonas de conservação integral e terras indígenas – somente na Amazônia, 34.117 km² de florestas (8,3% do total do bioma) ficariam disponíveis para exploração e 281.443 km² de terras indígenas distribuídas pelo país (28,4% das TIs) ficariam à disposição para retirada de minérios. “Nosso trabalho mostra que as áreas de proteção são eficientes para conter o desmatamento e funcionam como uma barreira natural”, explica Joice ao G1. Ela reconhece ainda a necessidade de melhorar o manejo das...

Energia eólica pode suprir quase 20% da demanda global até 2030

Energia eólica pode suprir de 7% a 8% da demanda de eletricidade global até 2020, de 13% a 15% até 2030 e de 17% a 20% até 2050 Foto: Reprodução A capacidade instalada de energia eólica pode crescer 530% (para dois mil gigawatts), até 2030, fornecendo até 19% da eletricidade global, afirmou relatório de uma associação comercial e do Greenpeace divulgado nesta terça-feira, 21 de outubro. Segundo o documento, a capacidade instalada de energia originada pelos ventos totalizou 318 GW em todo mundo no final de 2013 e gerou cerca de 3% da eletricidade global. Esta capacidade deve aumentar em outros 45 GW, para um total de 363 GW, neste ano. Em algumas partes do mundo, especialmente na Europa, há pessoas que vêm se opondo à energia eólica por causa dos subsídios do governo, que elas afirmam ter contribuído para um aumento crescente nas contas de energia. Mas Steve Sawyer, executivo-chefe do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), disse à agência de notícias Reuters: “A energia eólica se tornou a opção menos custosa quando acrescenta uma nova capacidade à rede elétrica em um número cada vez maior de mercados, e os preços continuam a cair”. Baseada em previsões da Agência Internacional de Energia, a entidade afirmou que a capacidade instalada cumulativa de energia eólica pode chegar a 611 GW até 2020 e a 964 GW até 2030. O GWEC, que representa 1.500 geradores de energia eólica, contempla o amanhã desta indústria em 2020, 2030 e 2050 em três situações tendo por base a redução de emissões atual e futura e as políticas de fomento à energia renovável. Capacidade instalada...

Ciclovia que transforma energia solar em eletricidade construída na Holanda

Um projeto energético pioneiro está a surgir em Krommenie, a 25 quilómetros de Amesterdão. Trata-se de uma ciclovia construída com módulos constituídos por células fotovoltaicas, semelhantes aos painéis solares que se colocam nos telhados das habitações. A ideia é converter energia solar em energia elétrica que possa alimentar os veículos que por ali transitam. “As estradas vão poder produzir eletricidade para os carros que aí circulem”, explica um dos responsáveis pelo projeto SolaRoad, Sten de Wit, que perspetiva já outros voos para a sua iniciativa. A ciclovia que será inaugurada este mês na localidade holandesa é assim constituída por módulos retangulares que integram células fotovoltaicas. Para já o objetivo é recarregar as baterias das bicicletas elétricas que possam transitar nessa via. A energia solar gerada por esta ciclovia será, contudo, 30% inferior à produzida pelos já habituais painéis solares colocados nos telhados das habitações, uma vez que estes podem ser alinhados com o Sol. A ideia de instalar painéis solares nas estradas não é totalmente nova. Um projeto idêntico foi recentemente instalado nos Estados Unidos.   Fonte: Sic...

BNDES financia R$ 254 milhões para cinco usinas eólicas no Ceará

O banco financiará 50,2% do total dos investimentos, de R$ 503 milhões. As usinas são controladas pela Ventus Energia Renováveis S.A. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou nesta quarta-feira (15) que aprovou financiamento de R$ 254 milhões para a construção de cinco centrais eólicas nos municípios de São Gonçalo do Amarante e Amontada, no Ceará. As usinas são controladas pela Ventus Energia Renováveis S.A, que venceu o leilão de energia de reserva de 2009. Elas têm capacidade instalada de 121,8 MW. O BNDES financiará 50,2% do valor total dos investimentos, de R$ 503 milhões. Segundo o banco, os parques contam com 58 aerogeradores, fornecidos pela Suzlon Energia Eólica do Brasil, e são divididos em dois complexos: o Complexo Icaraí e o Complexo Taíba. O primeiro, em Amontada, tem capacidade de 61,5 MW e o Taíba, localizado em São Gonçalo do Amarante, de 57,6 MW. Ambos estão conectados ao sistema de distribuição da Chesf. O BNDES informou que possui atualmente uma carteira com 51 projetos de financiamento de geração eólica, totalizando 5,5 mil MW e investimentos de R$ 25 bilhões. Fonte:...

Japão planeja reduzir incentivos para produzir energia solar

O governo do Japão reformará seu plano de apoio às energias renováveis por causa do encarecimento da eletricidade, o que pode representar a retirada de importantes incentivos para a energia solar, informou nesta quinta-feira o diário “Nikkei”. O Japão usa atualmente um sistema que eleva artificialmente os preços da energia de origem renovável, sobretudo a solar. O método deu resultados desiguais devido à capacidade de produção limitada das usinas que apostam nesse tipo de fonte alternativa. O Ministério da Economia, Comércio e Indústria realizou na última quarta-feira uma reunião para discutir os defeitos do sistema atual e propor reformas para o plano estatal de energias renováveis, disse um funcionário de alto escalão do ministério ao “Nikkei”. O governo japonês contempla um novo marco legal que permitirá às maiores usinas a comprar os excedentes de produção de companhias com menor capacidade. Além disso, em 2015 serão reduzidos os preços fixados para a venda de energia solar, com o objetivo de torná-los mais competitivos. No julgamento do governo, os atuais valores provocaram uma “bolha” no setor. A energia produzida em plantas solares custa no país 32 ienes o quilowatt-hora, preço dez vezes superior, por exemplo, ao fixado para a energia eólica. O novo plano incluirá descontos para as contas de energias pagas por empresas e famílias, que sofreram aumento devido ao auxílio às fontes renováveis e também por causa do blecaute nuclear em todo o país após o acidente em Fukushima, em 2011. Outra medida será a de limitar a construção de grandes plantas solares, o que, junto às reformas anteriores, pode acarretar em prejuízo para empresas do setor. Algumas delas...

Holanda oferece apoio para inovação em biocombustíveis

A Holanda tem uma missão corajosa: até 2050, pretende contar com um sistema de energia sustentável, confiável e acessível. Líder em biotecnologia industrial internacional e na indústria bioquímica – que abriga inúmeras empresas do setor e cientistas de renome internacional – o país vem realizando importantes experimentos com a energia das ondas oceânicas, algas e biomassa. Durante a segunda edição do BBest, conferência de ciência e tecnologia de bioenergia, que acontecerá entre os dias 20-24 outubro no Campos do Jordão Convention Center, a Holanda planeja demonstrar como é capaz de ampliar ainda mais seus conhecimentos em cooperação com o Brasil, outro pioneiro em combustíveis renováveis ​​e energia. A Holanda está construindo conexões bem sucedidas com nosso País , através de parcerias estratégicas, colaborações em projetos e programas, bem como acordos no nível governamental, industrial, institucional e acadêmico. Inspirados por sua indústria de horticultura, cujo consumo de energia é intensivo, os holandeses desenvolveram soluções inovadoras na produção descentralizada de energia em estufas, “reciclagem” de CO2 e aproveitamento de calor residual. Como parte de seu plano, a Holanda pretende monitorar as tensões ecológicas, controlar e otimizar a qualidade da água, terra, e a disponibilidade de nutrientes utilizando tecnologias de sequenciamento genético de material biológico, além da incorporação social dos produtos, serviços e processos desenvolvidos até agora. Até 2020, os recursos renováveis ​​terão um papel importante na economia baseada em bioenergia. A Holanda também está investindo bastante em Smart Grids, que facilitam o desenvolvimento de outras tecnologias, como veículos elétricos. Do outro lado do Oceano Atlântico, o Brasil é o maior produtor de cana de açúcar do mundo e o segundo maior...