Roda de Conversa debate os impactos da indústria do petróleo

Debater os impactos da indústria do petróleo nos territórios e as perspectivas dentro deste cenário: este é o objetivo da roda de conversa que o Ibase irá realizar no dia 26/09, terça-feira, das 14h às 19h. Pesquisadores e representantes de movimentos sociais estarão presentes neste encontro que se faz necessário principalmente devido ao momento em que ele se realiza. Após dois anos sem novas rodadas de licitação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP, para exploração de petróleo e gás, a Agência resolveu oferecer 287 blocos que serão leiloados no dia 27 de setembro. As novas áreas estão localizadas em nove bacias sedimentares brasileiras, terrestres e marítimas, incluindo blocos localizados na camada do pré-sal. A ANP estima que centenas de áreas sejam oferecidas novamente para o mercado entre 2017 e 2019, período que a Agência já definiu um calendário para novos leilões. Com isso, o cenário que se apresenta para os próximos anos é de expansão da exploração de combustíveis fósseis, da manutenção da dependência econômica deste recurso para alguns estados e municípios, da ampliação dos riscos em áreas protegidas e de conflitos nos territórios, principalmente com pescadores, caiçaras, quilombolas, indígenas e demais comunidades tradicionais. Dentro desse contexto e para falar sobre ele, convidamos como provocadores da roda de conversa o Fórum dos Atingidos pela Indústria do Petróleo e Petroquímica nas cercanias da Baía de Guanabara (FAPP), Fórum de Comunidades Tradicionais Angra, Paraty e Ubatuba e a campanha “Nem um poço de petróleo a mais”. Das 14h às 16h, eles irão provocar o debate sobre como estão os territórios e as resistências neste momento. Em um segundo...

Sociedade civil encaminha contribuições para Plano Decenal de Expansão de Energia 2026

Por Sucena Shkrada Resk – ICV. Redes da sociedade civil organizada encaminharam um documento conjunto, no qual colocam suas contribuições para a versão preliminar do Plano Decenal de Expansão de Energia 2026 (PDE 2026), submetida à consulta pública pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pelo Ministério de Minas e Energia (MME), cujo prazo terminou no dia 27 de agosto. O principal objetivo é incorporar efetivamente a dimensão socioambiental no planejamento do setor energético brasileiro. A iniciativa é do Grupo de Trabalho de Infraestrutura (GT-Infraestrutura), do Observatório do Clima (OC), da Frente por uma Nova Política Energética para o Brasil (FNPE) – em parceria com o Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social (FMCJS) e da Aliança dos Rios da Panamazônia. Estas redes são compostas por organizações não-governamentais e movimentos sociais. As propostas são divididas em cinco eixos: – Transparência e participação pública: incorporação da dimensão socioambiental; dos direitos humanos; – Processos de tomada de decisão e incorporação de critérios de restrição na formação dos portfólios; – Identificação de cenários de demanda; – Alternativas para a geração de energia elétrica: energia solar e eólica; termelétrica à biomassa; a não construção de mais nenhuma hidrelétrica na Amazônia; térmicas com combustível fóssil com restrições; quanto à energia nuclear, retirar Angra 3 e quaisquer planos de novas usinas nucleares do planejamento energético; – Questionamento sobre a expansão petroleira no plano. Os ambientalistas e especialistas na área energética, que integram o grupo de autores, expõem a relevância do PDE ser objeto de diálogos mais aprofundados com as redes da sociedade civil sobre temas específicos abordados e de forma articulada com o Plano Nacional de Energia (PNE), o componente de energia da NDC brasileira,...

De olho nas pegadas ambientais do urânio na Bahia

O município de Caetité (Bahia), sede da única mina de urânio em atividade na América Latina, recebeu um grupo de estudantes da UFBA com uma missão especial. Eles foram ver as pegadas ambientais da exploração do minério e saber como é a convivência da sociedade local com as Indústrias Nucleares do Brasil (INB), dona do complexo minero-industrial produtor do concentrado de urânio, matéria prima da fonte-combustível dos dois reatores nucleares de Angra dos Reis (RJ). Quando decidiram ir ao encontro do mundo técnico e científico do campo nuclear sabiam que carregariam malas e mochilas cheias de interrogações sobre o resultado daquela experiência. Tinham muitas dúvidas. Em especial, se compreenderiam a realidade da mineração nuclear e seus impactos sobre a saúde pública, sobre o meio ambiente e como poderiam relacionar esta problemática com a formação acadêmica de Engenheiros/as Sanitaristas. Viajaram com a Profa. Dra. Patrícia Borja, no âmbito do projeto da disciplina Problemas de Saúde Pública, da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Rotas de informação Quase 640 km separam Caetité de Salvador. A longa viagem foi antecedida por uma atividade na Escola Politécnica no dia 08 de julho, quando tratamos do Programa Nuclear Brasileiro e seus negativos impactos no Alto Sertão baiano, onde começa o ciclo de produção da energia nuclear gerada nas usinas Angra 1 e 2 (RJ). Mostrando imagens e documentos de órgãos de fiscalização ambiental e de regulação da atividade nuclear no Brasil, mostramos os prejuízos socioambientais provocados pelas atividades de mineração e beneficiamento de urânio no semiárido baiano. Tratamos também das pesquisas que vêm sendo feitas nas áreas de saúde (Fiocruz) e meio...

Expedição do CERSA avalia impactos de parques eólicos no Vale do Sabugi (PB)

Por Enio Marx – Assessor de Comunicação do CERSA. O Comitê de Energia Renovável do Semiárido (CERSA) promoveu no dia 22 de Julho, uma expedição na região paraibana do Vale do Sabugi. A ideia foi dialogar com as comunidades sobre as modificações causadas pela instalação de parques eólicos na localidade. A comitiva foi formada pelos coordenadores do CERSA e membros da diretoria da Frente por uma Nova Política Energética para o Brasil (FNPE), César Nóbrega e Walmeram Trindade, o técnico-agrícola do Programa de Ação Social e Políticas Públicas Aires Humberto, o Gerente da Casa da Economia Solidária de Pombal José de Anchieta, os professores da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG – Campus Pombal), Gustavo Sales e Ricélia Marinho, e as agentes da Comissão Pastoral da Terra(CPT/Borborema), Vanúbia Martins e Valdenice Silva, e o jovem Arthur Marinho. A expedição foi dividida em dois momentos,  o primeiro foi conhecer o sítio das eólicas situados nas comunidades Lagoa I (São José do Sabugi), Lagoa II (Santa Luzia) e Canoas (Junco do Seridó). Já no segundo momento, os representantes do CERSA conversaram com os moradores da região sobre a chegada das centrais eólicas. Para tanto foi preciso a articulação da estudante Camila Medeiros junto às comunidades. Na primeira etapa, os ambientalistas puderam observar que turbinas estão sendo montadas degradando o meio ambiente. Em vários locais pode-se notar o desmatamento da caatinga. Outro ponto observado foi a abertura de novas estradas e o alargamentos das antigas desviando a rota tradicional. Na segunda fase da expedição, os representantes do CERSA dialogaram com os representantes das Associações Comunitárias das comunidades de Riacho Fundo, Redinha e Redinha de Baixo pertencentes...

Qual valor dos povos indígenas no planejamento energético brasileiro?

Por Sucena Shkrada Resk – ICV. Como o componente indígena entra na agenda socioambiental de planejamento da matriz elétrica brasileira, em especial, com relação a grandes empreendimentos hidrelétricos? Esse foi um dos pontos destacados durante o diálogo entre representantes de organizações não governamentais, que integram o Grupo de Trabalho de Infraestrutura, com equipe técnica da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), no dia 17 de julho. O encontro ocorreu, na sede da empresa, no Rio de Janeiro. Esta é a segunda rodada de diálogo estabelecida desde 05 de maio (veja também Organizações socioambientais abrem espaço de diálogo com EPE para discutir planejamento da matriz elétrica) . A EPE apresentou uma visão geral da metodologia do planejamento energético no país que, segundo a empresa, tem quatro critérios: modicidade tarifária, segurança energética, áreas protegidas e mudanças climáticas. E é no chamado índice socioambiental, nos estudos de inventário hidrelétricos, que um dos aspectos socioambientais são as populações indígenas e tradicionais. No mesmo momento, a 2.500 quilômetros de distância, na divisa do Pará e Mato Grosso, acontecia um caso real que demonstra a necessidade de maior empenho nesta agenda. Indígenas Munduruku ocupavam pacificamente canteiro de obras da Usina Hidrelétrica São Manoel (que aguarda aprovação de licença de operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama). O grupo com cerca de 140 pessoas, entre crianças, adultos e idosos, reivindicavam seus direitos no processo de implementação dos grandes empreendimentos hidrelétricos, desde a fase de consulta. A ocupação foi encerrada no dia 20, mas a mobilização continua (veja mais em Somos feitos do sagrado!). Para a compreensão do contexto da mobilização, o GT...

IEI Brasil realiza oficina sobre Geração Distribuída, Eficiência Energética e Impactos para o consumidor final

Por Sarah Shmidt – IEI Brasil. Pesquisadores, profissionais e representantes do terceiro setor se reuniram em Campinas (SP), na última quarta-feira, 17 de maio, para discutir o futuro do setor elétrico brasileiro. A convite do IEI Brasil, eles participaram da oficina “Geração distribuída, eficiência energética e o consumidor final: propostas para a realidade brasileira”. Como o próprio título do encontro diz, o consumidor foi a peça central das discussões. Afinal, como a tarifa de eletricidade será impactada em um cenário com maior aplicação de geração distribuída e eficiência energética? Com o objetivo de construir respostas e propostas de forma colaborativa, o encontro foi desenhado de modo que os cerca de 30 participantes pudessem interagir, realizar questionamentos e fazer sugestões sobre o conteúdo apresentado. A oficina é resultado de um projeto de pesquisa em andamento realizado pelo IEI, com o apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS). A primeira etapa da pesquisa, inclusive, dará origem a um livro que está em estágio de produção e conta com o apoio do Instituto Brasileiro do Cobre (Procobre). Na parte da manhã da oficina, os pesquisadores do IEI Brasil Sérgio Bajay, José A. Paccola, Izana R. Vilela e Raphael Heideier apresentaram resultados preliminares do estudo com análises do setor elétrico e da formação da tarifa de eletricidade brasileiros e sugestões sobre novos modelos de negócio, estrutura e regulação tarifárias e mecanismos de incentivo. O pesquisador Heideier apresentou, ainda, alguns resultados preliminares dos impactos sobre a tarifa residencial média e arrecadação de tributos em 2030 e 2040, pelas regras atuais, para diferentes taxas de inserção de energia solar fotovoltaica em telhados e de medidas de...

Organizações socioambientais abrem espaço de diálogo com EPE para discutir planejamento da matriz elétrica

Autora: Sucena Shkrada Resk – 11/05/2017. O processo de planejamento da matriz elétrica brasileira é um assunto que até hoje está restrito a um pequeno grupo técnico e político, na esfera do governo federal. Questões importantes de infraestrutura, como informações e decisões políticas por médios e grandes empreendimentos hidrelétricos na Amazônia ou por matrizes solares e/ou eólicas ou termelétricas, nos próximos 10 e 30 anos, fazem parte desta agenda. Com o objetivo de tornar esta discussão mais transparente e trazer a contribuição de especialistas da sociedade civil organizada, nesta pauta, foi realizada uma reunião em São Paulo, no último dia 5. Representantes do Grupo de Trabalho (GT) Infraestrutura, que reúne mais de 30 organizações socioambientais, e da direção da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), braço técnico e de pesquisa do Ministério de Minas e Energia (MME), abriram um canal de diálogo, que tem como objetivo principal a criação futura de um fórum permanente nesta agenda no país. Luiz Augusto Nóbrega Barroso, presidente da EPE, expôs que a autarquia está aberta a receber e estudar propostas oriundas do GT Infraestrutura, como também a ouvir diferentes segmentos da sociedade. “Acredito no planejamento colaborativo. O nosso sonho de consumo é a implementação de fóruns permanentes”, disse. As organizações socioambientais priorizam fontes de matriz limpa em relação, principalmente, a hidrelétricas na região amazônica, que têm provocado fortes impactos socioambientais na região, a exemplo de Belo Monte e das usinas do Rio Madeira; cujas construtoras deste modelo de empreendimento também estão sendo investigadas sobre esquemas de corrupção, amplamente divulgados na atualidade. “Uma das principais metas é que não haja necessidade de construção de mais empreendimentos hidráulicos, num cenário de 30...

Disponibilizado para download o filme “Belo Monte: Depois da Inundação”

Uma boa notícia!  Comemorando o Dia Internacional de Luta contra Barragens, pelos Rios, pela Água e pela Vida, no último dia 14 de março, o novo documentário “Belo Monte: Depois da Inundação, dirigido pelo premiado cineasta Todd Southgate, foi disponibilizado para download gratuito, através do site do filme: http://www.belomonteaftertheflood.com/index_port.html Narrado pelo ator Marcos Palmeira, o documentário conta a história e as consequências de uma das hidrelétricas mais polêmicas do mundo.  Através de entrevistas com líderes indígenas, ativistas e moradores locais, Belo Monte: Depois da Inundação demonstra como esse megaprojeto, que custou mais de R$30 bilhões – na sua maior parte, financiado com dinheiro público – deixou um legado de violações de direitos humanos e danos socioambientais que desestruturam meios de vida das comunidades locais do rio Xingu. Ao mesmo tempo, o filme conta a história de lutas dos povos indígenas, movimentos sociais e seus aliados para cobrar justiça e a responsabilização pelos crimes cometidos em Belo Monte, e para evitar a repetição dos mesmos erros na bacia do Tapajós, onde o povo Munduruku e comunidades ribeirinhas têm defendido seus territórios e direitos, resistindo a grandes projetos destrutivos como a UHE São Luiz do Tapajós. A divulgação ‘on-line’ do filme vem na sequência de uma série de eventos bem-sucedidos de lançamento no Brasil e no exterior desde o final de 2016, como no seminário “Hidrelétricas na Amazônia: Conflitos Socioambientais e Caminhos Alternativos”. O filme já está se relevando uma ferramenta muito interessante para a conscientização e a mobilização popular!  Em novembro passado, o filme foi premiado com o troféu de júri popular no Festival Cineamazônia realizado em Porto Velho (RO). Agradecemos o envio de notícias e fotos...

Do Xingu ao Teles Pires: documentários retratam os impactos de grandes hidrelétricas nas vozes dos atingidos

Por: Sucena Shkrada Resk – 09/12/2016 O que Antônia, Raimunda, Gilliarde e Nelson têm em comum? São brasileiros que vivem, desde o começo, o processo de implantação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, uma decisão do governo federal em seu plano energético. Elas enfrentam, junto com suas comunidades, até hoje, os efeitos socioambientais e econômicos que a instalação dessa mega obra está causando na região de Altamira, PA. É um histórico que tem repercussão internacional e capítulos de embates na justiça que continuam em curso, por meio de ações do Ministério Público Federal (MPF), suspensões de segurança a favor do empreendimento (com o argumento da obra ser de segurança nacional) e novas ações em favor das populações atingidas. As narrativas dessas mulheres e homens se mesclam com as de autoridades e especialistas e tratam de histórias de impactos ambientais em modos de vida, na saúde, nas condições de saneamento, segurança e geração de renda de ribeirinhos, indígenas e pescadores locais. Essa mistura de fatos e sentimentos é descrita durante uma hora, no vídeo-documentário Belo Monte: depois da inundação, lançado, semana passada, em Brasília, uma produção de Todd Southgate, do International Rivers e da Amazon Watch, com narração de Marcos Palmeira. A presença desses protagonistas “ao vivo” possibilitou a releitura de suas próprias falas, com uma carga emocional a mais que contagiou o público presente. “Lutamos por reparação. Hoje em Altamira, a população sofre com a falta de água (potável) para viver e a violência aumentou, com drogas, assassinatos e se desencadeou um processo de doenças nas mulheres. Quase duas mil famílias ribeirinhas foram ‘jogadas’ em qualquer...

Organizações assinam manifesto sobre cenário desafiador da Amazônia coberta por hidrelétricas

Por: Sucena Shkrada Resk – 08/12/2016. Nas próximas décadas, o cenário que se constrói na Amazônia leva a uma discussão para o centro do debate: qual o futuro hídrico, climático e dos povos da região, onde estão em estudo cerca de 1.000 empreendimentos hidrelétricos de pequeno a grande porte, segundo dados da Superintendência de Concessões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)? Na atualidade, povos ribeirinhos já vivenciam a falta de escuta nos processos de licenciamentos e os efeitos destas intervenções em suas vidas, resultantes das construções de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e de usinas de grande porte. Especialistas questionam o custo-benefício desta matriz em vários aspectos, que incluem além dos impactos socioambientais, a questão da eficiência energética e do desperdício no sistema. Um manifesto público foi assinado por mais de 40 organizações , redes e movimentos da sociedade civil nacionais e estrangeiras (Colômbia, Equador, Bolívia e Peru) resultante do debate realizado no Seminário Hidrelétricas na Amazônia: Conflitos Socioambientais e Caminhos Alternativos, realizado na Câmara dos Deputados, no dia 6 de dezembro. O documento traz uma série de questionamentos e reivindicações e é dirigido aos Ministérios de Meio Ambiente, e de Minas e Energia; à Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES. “Nossa realidade pouca gente olha. As autoridades não assumem responsabilidade por estes projetos, que destroem a vida dos povos e o meio ambiente”, destacou Antônia Melo, coordenadora do Movimento Xingu Vivo para Sempre. Os efeitos da construção da Usina de Belo Monte se transformaram em um documentário – Belo Monte: depois da inundação, lançado no dia...

Farsa de Belo Monte desmontada em 1h

Documentário mostra Altamira na atualidade, impactada pela represa, e as mentiras do governo e empreiteiras. Por: Giovanny Vera Brasília (DF) – Foi lançado nesta semana em Brasília o documentário Belo Monte: Depois da Inundação, que apresenta a situação atual da cidade de Altamira após a construção da hidrelétrica no rio Xingu, com testemunhos de atingidos pelas falsas promessas do governo federal e empreiteiras.   Um dos objetivos do filme é “mostrar a história da luta na região do Xingu e contribuir ao debate sobre este modelo, para ver se é o que a gente quer”, explicou Brent Millikan, da International Rivers, realizadora do documentário. De acordo com ele é importante mostrar o caso de Belo Monte para o mundo porque “não é um caso isolado, é um câncer que vem se espalhando”.   Todd Southgate, diretor do documentário, explicou que é um projeto “feito para não deixar Belo Monte cair no esquecimento, é uma ferramenta de resistência para todos os impactados pela obra e também para quem vai ser impactado por outro projeto semelhante”.   Na plateia estiveram vários dos atingidos pelos impactos da barragem, além de representantes de povos indígenas e ribeirinhos dos estados de Mato Grosso, Pará, Tocantins e Rondônia, que expressaram surpresa e tristeza ao ver a situação calamitosa em que se encontram os impactados pela usina em Altamira. “Eu nunca tinha visto assim, é uma destruição não só dos indígenas, mas dos riberinhos, dos pescadores, que hoje estão sofrendo nessa situação difícil. Eu vejo assim: se está acontecendo assim lá, como seremos nós ficando desse jeito?”, questiona Valdir Sabanê, liderança do povo Nambikwara da Terra...

Debate sobre hidrelétricas na Amazônia mobiliza ONGs, MPF, legislativo e poder público no Congresso Nacional

Por: Sucena Shkrada Resk (ICV). Hoje (5), também haverá o lançamento de documentário sobre Belo Monte após a inundação e de livro a respeito da Construção da hidrelétrica de São Luiz de Tapajós, no IESB. A decisão política, econômica e socioambiental do governo brasileiro de investir na predominância da matriz energética hidráulica nos próximos anos, em especial, na Amazônia, se tornou um tema de discussão nacional pela complexidade dos projetos implementados e em curso quanto à relação de seu custo-benefício e impactos atuais e nas próximas décadas. O tema chega ao Congresso Nacional, com a realização do Seminário Hidrelétricas na Amazônia: Conflitos Socioambientais e Caminhos Alternativos, no dia 6 de dezembro, das 9h às 18h, no Plenário 8 – Anexo 2, da Câmara dos Deputados, em Brasília. O evento é uma organização da Aliança dos Rios da Amazônia, do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social, da Frente por uma Nova Política Energética e do GT Infraestrutura em parceria com a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados (veja programação abaixo). O debate será divido em três grandes eixos: Aspectos críticos do planejamento e licenciamento de hidrelétricas na Amazônia; Responsabilidade socioambiental de agentes financeiros e Hidrelétricas na Amazônia a caminhos alternativos para a política energética nacional. Para isso, foram convidados representantes de diferentes segmentos, desde os Ministérios de Meio Ambiente e de Minas e Energia ao Ministério Público Federal (MPF), Academia e terceiro setor. Durante o evento, também participarão representantes de populações mais vulneráveis aos empreendimentos hidrelétricos: assentados, indígenas, ribeirinhos e atingidos por barragens. Lançamentos e debates no dia 5: documentário e livro. Para subsidiar este debate,...

Seminário Nacional de Mudanças Climáticas e Justiça Social

Realizado no marco dos sete anos do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social (FMCJS), o Seminário Nacional, de mesmo nome e realizado entre os dias 25 a 28 de outubro na cidade de Brasília, apontou novos rumos, renovou e fortaleceu a atuação da organização. O encontro foi o ponto culminante do processo de construção da articulação política a partir da realização de seis seminários regionais promovidos durante este ano em todo o Brasil. Foram duas discussões no Norte, para alcançar os dois extremos desta grande região, e uma em cada uma das outras: Centro Oeste, Nordeste, Sudeste e Sul. Todos os seminários tiveram como objetivo discutir as mudanças climáticas e os seus impactos sobre a vida das pessoas. O Seminário Nacional contou com a participação de 91 representantes de todas as regiões do país e apoiadores do FMCJS, totalizando 51 entidades participantes. Os números refletem uma representatividade expressiva, alcançando muito da complexidade dos problemas causados pelas mudanças climáticas em todo o Brasil. Segundo o assessor nacional do Fórum, Ivo Poletto, o objetivo foi o de ampliar a articulação política nas regiões. “Nosso Seminário buscou identificar os desafios olhando para o futuro com o objetivo de enfrentá-los. E assim definir as prioridades de ação para o próprio Fórum”, explicou. Nos três dias de atividades, o Seminário trouxe reflexões críticas acerca da complexidade do tema diante dos novos desafios que a conjuntura apresenta, como a tecnologia do fracking, que extrai gás metano por meio de explosões subterrâneas, os desastres socioambientais, que se repetem ano a ano atingindo comunidades vulneráveis, as decisões governamentais em todos os níveis e os desafios mundiais apontados...

III Festival Juruena Vivo: cultura e resistência no coração do Brasil

Entre os dias 27 e 30 de outubro, os 30.000 habitantes da cidade de Juara (MT) recebem indígenas e movimentos sociais da Bacia do Juruena em luta pela preservação de seus territórios e modos de vida. Por Paulo Motoryn Fotos: João Miranda Começou nesta quinta-feira (27), o III Festival Juruena Vivo na cidade de Juara (MT). O evento celebra a diversidade cultural e ambiental do Rio Juruena, que cada vez mais tem sua bacia impactada por interesses no potencial hidrelétrico da região. A sub-bacia do Juruena abrange 190.931 km2 e é composta por dezenas de rios. Só o Rio Juruena é responsável por 70% das águas que formam o Tapajós no estado do Mato Grosso. Dez diferentes povos indígenas lutam para preservar seu modo de vida na Bacia, como os Manoki, Nambikwara, Rikbatsa, Myky e Rikbatsa, que têm representantes no Festival. O evento tem objetivo de debater a atuação da população indígena e a participação popular nas tomadas de decisão sobre o futuro dos rios Juruena, Tapajós e Teles Pires. Os convidados vêm de diversas regiões da Amazônia Legal. Estão presentes, por exemplo, moradores de Altamira, cidade impactada pela construção do complexo hidrelétrico de Belo Monte. A ideia é que possam compartilhar experiências de resistência aos megaprojetos. Além dos paineis temáticos e debates, o III Festival Juruena Vivo trará uma série de manifestações e apresentações culturais. A programação (confira ao final) conta com apresentação de bandas e grupos da região e do Centro-Oeste. O violeiro Victor Batista mora em Pirenópolis (GO) e é uma das atrações do evento. Seu trabalho mais recente está no disco “Manchete do Tico-Tico”, em...

Belo Monte: Depois da inundação

  A International Rivers anuncia o lançamento, em breve, do filme “Belo Monte: Depois da Inundação” dirigido pelo premiado cineasta Todd Southgate, em co-produção com Amazon Watch, Cultures of Resistance e a própria International Rivers. Narrado pelo ator Marcos Palmeira, o documentário conta a história e as consequências de uma das hidrelétricas mais polêmicas do mundo.  Através de entrevistas com líderes indígenas, ativistas e moradores locais, “Belo Monte: Depois da Inundação” demonstra como esse megaprojeto, que custou mais de R$ 30 bilhões – na sua maior parte financiado com dinheiro público – deixou um legado de violações de direitos humanos e danos socioambientais que desestruturam meios de vida das comunidades locais do rio Xingu. Ao mesmo tempo, o filme conta a história de lutas dos povos indígenas, movimentos sociais e seus aliados para cobrar justiça e a responsabilização pelos crimes cometidos em Belo Monte, e para evitar a repetição dos mesmos erros na bacia do Tapajós, onde o povo Munduruku e comunidades ribeirinhas têm defendido seus territórios e direitos, resistindo a grandes projetos destrutivos como a UHE São Luiz do Tapajós. Ao longo dos últimos sete anos, Todd viajou diversas vezes à Amazônia para documentar conflitos em torno de Belo Monte e, mais recentemente, a resistência dos povos do Tapajós.  No início de março deste ano, ele retornou à região do Xingu, num momento em que a construção de Belo Monte estava sendo finalizada no meio de uma situação caótica de promessas descumpridas e escândalos de corrupção reveladas pela Operação Lava Jato. No dia 05 de dezembro, haverá um evento de lançamento em Brasília, na véspera de um seminário...

Carta aos/às candidatos/as das eleições municipais

A Frente por uma Nova Política Energética para o Brasil realizou na cidade de Brasília no última dia 1º de setembro um seminário nacional em que discutiu a necessidade de elaboração de programas e políticas municipais de incentivo à utilização das energias renováveis de forma distribuída, em especial através do Sistema de Compensação de Energia Elétrica. A discussão foi realizada com a intenção de que o tema entre na pauta das eleições municipais deste ano e, com isso, mais pessoas fiquem sabendo da possibilidade de gerarem sua própria energia elétrica, o que já é permitido desde 2012 pela Resolução nº 482 da Agência Nacional de Energia Elétrica. Ao final do seminário a Frente aprovou uma carta (abaixo) a ser enviada a todos/as os/as candidatos/as a Prefeito ou a Vereador nestas eleições, de modo a convocá-los/as a assumirem o compromisso de incentivar as energias renováveis distribuídas. Portanto, fique à vontade para enviar essa carta para os/as candidatos de sua cidade e para conversar com seu candidato/a e sugerir que ele/a assuma este compromisso e contribua para a construção de uma cidadania energética no Brasil. CARTA AOS CANDIDATOS/AS A PREFEITO/A E A VEREADOR/A Profundamente preocupada com o momento político atual por qual passa nosso País, com o agravamento das mudanças climáticas, com os impactos socioambientais da matriz elétrica brasileira e com o aumento contínuo da tarifa de energia elétrica – que afeta negativamente a renda das famílias e os cofres públicos municipais; a Frente por uma Nova Política Energética para o Brasil propõe que você, candidato/a a Prefeito/a ou a Vereador/a nestas eleições municipais, assuma junto a seus eleitores/as o compromisso...

24 de agosto de 2050: uma viagem ao Brasil do futuro

Como será a vida de um brasileiro daqui a 34 anos caso o país transforme sua forma de produzir e consumir energia? Ou seja, caso faça a [R]evolução Energética proposta pelo Greenpeace Brasil? Por Thaís Herrero. É 24 de agosto de 2050 e o brasileiro Renan Válveis acorda para mais um dia que parece comum. Ao abrir as cortinas do quarto, fica feliz ao ver o dia ensolarado. Liga o chuveiro e a água sai quentinha graças ao sistema de aquecimento solar térmico que está no telhado de sua casa. No caminho para o trabalho, encontra sua vizinha exibindo a nova aquisição: um modelo popular de carro movido a eletricidade. Elen Étrica é uma mulher conectada às novidades e, claro, não ficaria de fora da popularização desse tipo de veículo. No Brasil de Renan e Elen, a gasolina e o diesel estão no passado. A eletricidade corresponde ao “combustível” de 25% do setor de transportes. “Meu pai mal pôde acreditar quando andou pela primeira vez no meu carro. Quando ele era jovem, era um objeto para poucos porque eram caros de mais e faziam suas contas de luz ficarem altíssimas”, conta Elen. Como ela instalou placas solares fotovoltaicas em seu telhado, boa parte da eletricidade que consome vem da luz do sol, e suas contas de luz estão vindo baixas, mesmo com o carro elétrico. Ela não é a única brasileira que gera sua própria energia em casa. Agora cerca de 14% da eletricidade consumida no Brasil vêm de sistemas fotovoltaicos que geram energia solar – uma fonte limpa e renovável de energia. Desde os idos de 2015, quando...

Energia solar brilha para o povo Munduruku

Enquanto o governo quer construir uma hidrelétrica que irá inundar a terra dos Munduruku, o Greenpeace levou até ela uma forma limpa e renovável de gerar energia elétrica. É forte e poderoso o sol que brilha na Terra Indígena Sawré Muybu, na região do rio Tapajós, Pará. Poucas horas depois da alvorada, ele já ilumina do alto a floresta amazônica, permitindo que plantas cresçam, frutos se desenvolvam e que o povo Munduruku mantenha o seu dia a dia, em harmonia com a natureza. Esse sol intenso agora também brilha na TI para gerar energia elétrica. Graças a uma parceria entre o Greenpeace e a Fundação Empowered By Light, duas aldeias Munduruku receberam placas fotovoltaicas. Os sistemas foram instalados por ativistas e voluntários do Greenpeace e estão conectados a baterias, garantindo que a energia produzida durante o dia seja aproveitada também à noite. O povo Munduruku luta bravamente contra os planos do governo de construir a usina hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, na região onde vivem. Se a usina sair do papel, 376 quilômetros quadrados de floresta serão alagados, em uma região de rica biodiversidade e importância para esses índios. Portanto, a instalação das placas possibilita uma maior autonomia aos Munduruku em relação à demanda por eletricidade e é um símbolo que mostra que é possível garantir a energia que o Brasil precisa sem depender de novas hidrelétricas. “Por que o governo quer destruir a casa dos nossos povos tradicionais e nossas florestas se temos sol, vento e tecnologia o suficiente para explorar as fontes renováveis verdadeiramente sustentáveis, como a solar e a eólica?”, diz Thiago Almeida, da Campanha...

Seminário “Energia para Vida” e Oficina “Nossa Casa Solar” em Petrópolis

A Frente por uma Nova Política Energética para o Brasil convida quem tiver interesse a participar do Seminário sobre Política Energética “Energia para Vida” e da Oficina “Nossa Casa Solar”, atividades que serão realizadas na cidade de Petrópolis (RJ) nos próximos dias 2 e 3 de julho. O Seminário “Energia para Vida” tem o objetivo de problematizar a atual política energética brasileira, buscando abordar as principais implicações desta política para o Brasil e para a região em que se realiza, bem como apresentar caminhos diferentes para o setor energético, em especial o adequado aproveitamento do enorme potencial das energias renováveis de menor impacto. O seminário busca também regionalizar as ações da Campanha “Energia para a Vida”. Já a Oficina “Nossa Casa Solar” é parte da campanha de mesmo nome que a Frente vem desenvolvendo desde o ano passado com o objetivo de aumentar o conhecimento da população sobre a geração de energia elétrica a partir da energia solar fotovoltaica, contribuindo assim para a aceleração da diversificação da matriz elétrica brasileira. A oficina objetiva também promover uma compreensão popular das principais questões relacionadas ao Sistema de Compensação de Energia Elétrica a partir da mini e microgeração de energia, com foco na energia solar fotovoltaica, abordando aspectos como tecnologia, potencial, políticas de incentivo, regulamentação, investimento, financiamentos, empresas instaladoras e possibilidades de ação local. A oficina busca ainda regionalizar as ações da campanha “Energia para a Vida” e ajudar as organizações a elaborarem projetos de captação de recursos para a instalação de sistemas de mini e microgeração distribuída em suas sedes. Em Petrópolis as atividades serão realizadas das 9h às 18h do sábado (2)...

Lançamento do livro “Ocekadi: Hidrelétricas, Conflitos Socioambientais e Resistência na bacia do Tapajós”

O Programa de Antropologia e Arqueologia (PAA) da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) promove, no dia 28 de junho de 2016, o lançamento do livro “Ocekadi: hidrelétricas, conflitos socioambientais e resistência na Bacia do Tapajós”. Organizado por Daniela Alarcon, Brent Millikan e Mauricio Torres, o livro é uma coedição do PAA e da organização International Rivers Brasil, que atua desde 1985 na proteção dos rios e nos direitos das comunidades que dependem deles. A obra conta com textos de alguns professores da UFOPA, como Ricardo Scoles, Bruna Rocha e Maurício Torres. O lançamento é aberto a toda sociedade. Na ocasião, haverá debate com lideranças indígenas, ribeirinhas, representantes do Ministério Público e com autores do livro. Onde: Auditório Wilson Fonseca,  Av. Marechal Rondon s/n, Bairro Caranazal, Campus Rondon da UFOPA, Santarém – PA. Quando: Terça-feira, 28 de junho de 2016, a partir das 17 hs. Programação (sujeita a ajustes): Abertura Mauricio Torres, Professor, PPGRNA/UFOPA, co-organizador do livro. Brent Millikan, International Rivers, co-organizador do livro. Liderança Munduruku. Raimunda Monteiro (Reitora da UFOPA). Breves apresentações de autores Caracterização ambiental da bacia do Tapajós –  Ricardo Scoles (CFI/UFOPA) Contexto histórico e a nova onda de megaempreendimentos no Tapajós – Mauricio Torres (PPGRNA/UFOPA). Impactos e riscos socioambientais de hidrelétricas – Juan Doblas (ISA). Aspectos críticos do planejamento e financiamento de barragens – Brent Millikan (IR). Consulta Prévia, Direitos Territoriais e Atuação do Ministério Público Federal  –  Rodrigo Oliveira (MPF-PA). Patrimônio arqueológico ameaçado –  Bruna Rocha (PAA/UFOPA) e Raoni Valle (ICS/Ufopa). Movimentos de resistência: povos indígenas e ribeirinhos – Liderança Munduruku e Chico Catitu (Comunidade Montanha e Mangabal). – Debate aberto – Comentários:...