Carroceiros e barqueiros ocupam orla de Altamira e obrigam Norte Energia a reconhecer direitos

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Na última sexta-feira, 07, os carroceiros do tradicional “Porto das Carroças”, como é conhecido popularmente o local onde há 40 anos barcos atracam e são atendidos pelos carroceiros que levam e trazem pessoas e mercadorias em Altamira, foram surpreendidos por uma terceirizada da Norte Energia S.A (NESA), responsável pela obra de reurbanização da orla de Altamira (Projeto Parques e Reurbanização), que fechou com tapumes a única via de acesso e locomoção das carroças e pessoas que transitam pela área do porto, espaço já encurralado por outros tapumes, operários e máquinas pesadas.

Contra a atitude da empresa, os carroceiros retiraram os tapumes e reabriram o espaço fechado pela terceirizada, ocupando, com o apoio dos barqueiros, o canteiro de obra do Parque Orla. Segundo representantes dos manifestantes, o projeto de reurbanização da Orla, apresentado pela Norte Energia no último dia 24 de julho, não garante em nenhum momento a permanência de ambas as categorias. Tanto carroceiros quanto barqueiros observam que “é inadmissível que a NESA desconsidere categorias fundamentais para o território do Xingu, pois ambas, há mais de 100 anos, ajudam na construção da cidade de Altamira, contribuindo com a população local, prestando serviços fundamentais no transporte de materiais e pessoas. Este elemento histórico e cultural está sendo apagado pela NESA e pelo Governo Federal, dando continuidade inclusive ao que se pode chamar de ‘limpeza étnica’ da orla de Altamira”.

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A manifestação foi acompanhada por um forte aparato de segurança privada e da Polícia Militar. Diante da tensão crescente, representantes da Norte Energia foram chamados pelo defensor Público da União, Dr. Danilo Nascimento, mobilizado por carroceiros e barqueiros para apoiá-los. A partir de documentos, rodadas anteriores de negociação e análise in loco, o defensor questionou a NESA pela ausência dos pontos de ambas as categorias no projeto de reurbanização da orla.  “O carroceiro está para o rio assim como o estivador está para o porto de Santos. O rio Xingu é o coração e as veias são os carroceiros e barqueiros. Não posso admitir que as atividades dessas categorias, atividades que garantem o meio de sobreviver, sejam asfixiadas”, afirmou.

Após a mobilização e pressão da categoria e a intervenção da DPU, a Norte Energia se comprometeu a construir um ponto provisório para carroceiros e barqueiros na “nova orla”. Mesmo com esta definição, as duas categorias questionam este “ponto provisório”, exigindo que seus pontos sejam permanentes, e que tanto a Norte Energia, empresa responsável pela construção da “nova orla”, quanto a Prefeitura, que fará a gestão deste espaço após a construção, garantam a identidade e o sentimento de “pertencer àquilo que nos pertence”, pois o território é o fundamento do trabalho, o lugar da residência, das trocas materiais e espirituais e do exercício do cotidiano da vida.

Notícia publicada originalmente no site do Movimento Xingu Vivo.